Almere – Holanda

A cidade de Almere fica localizada a 20 km ao leste de Amsterdã e é uma cidade nova, com apenas 30 anos. Isto por que nos anos 60 houve uma política de criação de novas cidades na Holanda através da drenagem de áreas com mares rasos, dando ao país mais território. O motivo disso era a tentativa de conter a expansão e conurbação das cidades existentes e a manutenção de um cinturão verde entre elas, já que careciam de espaço para a crescente população.(CONSTANDSE, 1989)

As terras começaram a ser drenadas do Zuiderzee (golfo de 5000 km formado pelo Mar do Norte) através de diques. Assim, iniciou-se em 1930 a recuperação de 20.000 ha de terra, em 1942 eram mais 48.000 ha, passando para 50.000 ha em 1957 e finalmente em 1968 mais 60.000 ha. Essas terras tinham como intuito principal o uso para área agrícola, uma vez que era um solo bastante fértil e o país contava com tecnologia agrícola muito efi ciente.(id.ibid.) Aos poucos, fazendeiros passaram a ocupar a região, trazendo consigo a urbanização. No caso de Almere, esta passou a ser urbanizada mais rapidamente e não teve suas terras voltadas a agricultura exclusiva, já que estava muito próxima de Amsterdã e poderia portar outros usos.(id. ibid.)


Assim a cidade de Almere começou a ser usada como local para dormitório para a população mais rica ,que buscavam locais menos densos e com mais atrativos ambientais e de lazer, dos municípios vizinhos da Região de Randstad: Amsterdã, Roterdã, Utrecht, Den Haag, e Schiphol área do Aeroporto Internacional. Foram construídas muitas casas com o transporte individual priorizado ao mesmo tempo em que os empregos e equipamentos públicos se localizavam nas cidades maiores. (ISOCARP, V&W, 2003)

Portanto, o planejamento urbano da área foi baseado nos modelos das cidades americanas como as propostas do Wright para Broadacre City: com baixa densidade (Almere contava apenas 182.000 residentes), sem mistura de usos nas quadras, muita área verde e dependência de veículos individuais. (WOODMAN, 2007) Isto começou a alarmar os planejadores urbanos uma vez que a cidade tinha uma grande expectativa de crescimento de sua população(chegaria a 400.000 em 2030), ao mesmo tempo em que não tinha infraestrutura viária sufi ciente para atender a nova demanda. Por isso, alguns dos novos planejadores holandeses levaram estas questões 39º Congresso Internacional de Planejamento realizado pela Sociedade Internacional de Planejadores Urbanos e Regionais, ocorrido no Cairo em 2003. (ISOCARP, V&W, 2003)

As principais questões discutidas foram as opções entre uma Almere mais conectada, controlada, com um planejamento centralizado que a deixasse mais independente de Amsterdã ou deixar as forças do mercado atuarem na área e produzirem o planejamento que já estava sendo feito.(id.ibid.) A conclusão foi a opção pela primeira alternativa, na tentativa de buscar um maior equilíbrios entre as unidades habitacionais, mas ao mesmo tempo promover outros usos na cidade, aumentando também o número de empregos. (id.ibid.)

Por isso, iniciou-se um conjunto de estudos junto a diversos escritórios de arquitetura, aonde se proporiam desenhos urbanos para vários setores da cidade, divididos em blocos. A propostas para o Bloco 6, feitas pelo escritório OMA coordenado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas, que foi o ganhador do concurso proposto pelo governo local para esta área. (WOODMAN,2007)

Este bloco era de grande relevância para a vitalidade da cidade de Almere, pois esta localizado na posição mais central da cidade, mas que, apesar de central, não possuía muitas opções de comercio, serviço, cultura e lazer. Por isso, Rem Koolhaas explica em entrevista para o site inglês BD: “The plan is to a certain degree
an attack on everything Almere is: Almere is low, the plan is high; Almere is a grid, the plan is full of diagonals; Almere is low density, the plan is high density.”
(id.ibid.)

Ou seja, a proposta de Rem Koolhaas era de reverter a situação urbana do local, buscando aumentar a diversidade de uso do solo, redefinir o desenho urbano monótono com opções de circulação nas diagonais das quadras e aumentar a densidade da área. (id.ibid.) O plano urbano foi terminado em 2007 e definiu o Bloco 6 como o coração urbano da cidade, aonde existem diversos tipos de opções para atrair e dar vitalidade a área. Ali se concentram, hoje, bibliotecas, comércios, serviços, restaurantes, museus, teatros entre outros e é um local bem servido de transporte, para carros, trem,bicicletas ou a pé, (OMA,2007)

Assim, este novo programa foi distribuído entre a Câmara Municipal da cidade e um bulevar da Weerwater e entre a estação de trem e o proposto Parque Nelson Mandela. Esta localização fez possível a delineação correta da “Nova Almere”, que contrasta com a parte já construída da cidade, mostrando o que é novo e o que é antigo. (id.ibid.) Próximo a estação de trem se propôs a construção de 130.000 m2 de um complexo de escritórios para se utilizar da localização privilegiada e a concentração de lojas em pontos estratégicos das diagonais fez possível existir um bulevar destinado a atividades culturais e de lazer. (id.ibid.)

Portanto esta intervenção criou um programa de atividades diversificadas composto de 67.600 m2 de área comercial, 9.000 m2 de área de lazer, 890 unidades habitacionais novas e 3300 vagas de estacionamento. O programa também inclui uma biblioteca, um hotel, um espaço para concertos e um teatro. (id.ibid.) Ou seja, o conceito principal era a sobreposição de camadas que organizassem todas as infraestruturas, criando uma nova densidade para o local e desse uma característica mais central para a área. Assim, se conseguiu a maior presença de transeuntes no local, o que deu a ele maior vitalidade e interação no espaço publico, fazendo com que a cidade de Almere não se configurasse somente como local para dormitório.

Todavia é importante destacar que os estudos acabaram por buscar produzir uma cidade mais densa, como é o caso de Amsterdã, não levando em consideração a importância da relação da taxa de densidade com ambientes urbanos com qualidade ambiental e espaços verdes e de lazer. Esta relação é importante, por que, a cidade de Almere acabou sendo ocupada por uma população mais rica que buscavam essa condição, que já não existia mais em Amsterdã e nas outras cidades da região de Randstad e, por isso, se Almere não buscar esse equilíbrio é possível que esta populaçãoacabe buscando novas áreas com esses atrativos.

Fonte: Adensamente Urbano Sustentável: novas moradias para Luz (tese de graduação em Arquitetura e Urbanismo – FAUMACK)
Bibliografia:
BD MAGAZINE, The Architects Website. Growing Pains: BD`s 2004 review of the masterplan for Almere. 2007. Disponível em:http://www.bdonline.co.uk/story.asp?storycode=3082902 Acesso em dezembro de 09.
CONSTANDSE, A.K. Almere: a new town in development: problems and perpectives. In: Journal of Housing and Built Environment – The Netherlands: Springer, 1989. V.4 n.3 p.235-255.
OMA, Offi ce of Metropolitan Architecture. Almere Masterplan. The
Netherlans: Almere, 2007. Disponível em: http://www.oma.eu/index.phpoption=com_projects&view=project&id=131&Itemid=10
Acesso em dezembro de 09.
THE NETHERLANDS, Ministry of Transport, Public Works, and Water
Management – V&W. Landuse Intensifi cation and Transportation in Almere. In: 39th International Planning Congress of ISo-CaRP, Cairo, Egypt, 2003. Disponivel em: http://www.isocarp.org/pub/events/congress/2003/yp/VW_2003.pdf Acesso em dezembro de 09.

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