O Bonde em São Paulo

Os bondes dormem tranquilamente no passado paulistano. Nenhum vestígio restou e a maior parte das pessoas nem sabe que eles existiram por aqui. Implantados a partir de 1900 pela Light Co. e depois concedidos à CMTC que tirou sistematicamente os bondes das ruas enquanto a cidade era tomada por uma política rodoviarista incentivada pela pressão do mercado externo, os bondes circulavam por diversas áreas da capital, porém uma análise mais profunda nos leva a crer que a Companhia Light favorecia determinadas áreas de seu interesse provendo a infra-estrutura, o que incluía na época, o bonde.
Bonde “Gilda” na Avenida São João
Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/bondes_sp/bondessp.htm

É verdade que o bonde foi um dos protagonistas do esquema malicioso da companhia Light. Mas o bonde em si não foi o problema. O desenvolvimento da cidade de São Paulo foi sempre pautado por uma lógica capitalista e empresarial, muitos que trabalham para que poucos enriqueçam. O fato é que a cidade está formada, e agora procuramos soluções tardias e paliativas para os problemas da cidade.

E nesse vendaval todo o bonde ficou esquecido, seus trilhos foram cobertos por concreto ou o célebre mosaico português. E já que tocamos no assunto dos portugueses, façamos uma ponte a Lisboa, capital de Portugal.

Famosa por suas ruelas, praças e mirantes (miradouro em português lusitano), Lisboa preserva sua frota de bondes e elevadores. Em Lisboa a proposta não é, e não parece ser turística, o bonde é utilizado normalmente pelos seus moradores, assim como outros meios de transporte disponíveis. Acontece que quem já foi a Lisboa sabe, o bonde virou uma atração turística, o motorneiro rude, o barulho do bonde, a proximidade que ele passa das paredes dos edifícios antigos, faz com que os turistas delirem, enquanto se misturam com moradores da cidade. Recentemente em Lisboa foi adicionada nas áreas externas ao centro uma nova versão do bonde, mais rápido, menos barulhento, daqueles que se assemelham mais a um metrô. Essa nova versão, não é freqüentada como atração turística, mas mostra que a cidade confia nos bondes e pretende dar continuidade à essa forma consolidada de transportes.
O novo e o velho contrastam. Foto do autor

Outro exemplo é na cidade do Rio de Janeiro. No bairro de Sta. Tereza a viagem no bonde custa apenas R$0,60. Utilizado por moradores, o bonde hoje é sucesso entre turistas que fazem fila para subir o morro enquanto observam a bela paisagem e se divertem com o motorneiro e os moradores que fazem daquele percurso, um passeio. Recentemente a cidade adquiriu novos bondes, e dizem que um deles causou um acidente com morte, o que levou o CREA-RJ a criticar os novos veículos. Ao que parece, os moradores acham cômodo a opção do bonde para subir, mas quem gosta mesmo são os turistas.


Bonde de Sta Tereza
Fonte: http://www.wallpapergate.com/data/media/2917/Bonde_De_Santa_Tereza_Rio_De_Janeiro_Brasil_40518.jpg

Isso mostra a vocação do bonde para o turismo e como ele pode ser aplicado com essa intenção.

Como último exemplo, a cidade de Santos, que vem se preparando para uma explosão imobiliária e econômica, graças a chegada da Petrobras. Restaurou a pouco tempo em parceria da Companhia de Transporte Coletivo do Rio de Janeiro os antigos bondes que pararam de circular em 1971 e instalou cerca de 1700m de trilhos. Em Santos, apesar de existir um bonde circular disponível para o público geral, há uma linha especial com guia turístico que explica todas as peculiaridades da região central e opções disponíveis para turistas. Um grande sucesso, tanto que está em estudo na cidade como se dará a expansão dessas linhas.

Bonde Turístico de Santos
Fonte: http://guiadolitoral.uol.com.br/imgnoticia/bonde_santos.jpg

A cidade de São Paulo possui infinitas atrações turísticas porém pouca divulgação e infra-estrutura que corresponda a esse número, de acordo com a EMBRATUR São Paulo é a cidade brasileira mais visitada por estrangeiros à negócios, eventos e convenções e a terceira colocada nas viagens de lazer.

Centro de São Paulo, vem sendo objeto de constantes discussões sobre renovação urbana e melhoria do espaço público. Alvo de preconceitos pela maior parte da população o centro é visto como a “boca de lixo” da cidade, onde drogas e prostitutas dominam a cena. Uma coisa é certa, a habitação no centro vai ser o foco, até que algo seja feito, dos questionamentos de arquitetos e urbanistas que discutem a questão. O problema só será resolvido com a atuação da assistência social, habitação, educação e saúde de qualidade.

Mas e São Paulo com sua deficiência de turismo? Como amalgamar as coisas e prover o incentivo para a utilização do centro como espaço vivo, de dia e de noite?

O bonde pode ser uma alternativa, uma opção que se desenvolve de maneira extensa e serviria para fazer a ligação entre pontos turísticos, os trilhos sabemos que podem ser instalados, afinal, já estiveram lá, resta saber se os bondes ainda existem e se são passíveis de restauro.

Algumas informações foram obtidas no endereço de internet: http://www.estacoesferroviarias.com.br/bondes_sp/bondessp.htm.
As informações aqui expressas são de uma opinião pessoal, é possível que contenha informações contraditórias . Não tenho aqui a intenção de fechar o assunto e sim incentivar a discussão do assunto. (o autor: Fernando Tonon)

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