Estudantes de arquitetura projetam casa sustentável

Há dois anos, estudantes de 6 universidades públicas do Brasil (USP, UFSC, Unicamp, UFRGS, UFRJ e UFMG) se uniram para desenvolver um projeto para uma casa totalmente sustentável. Entraram em um concurso que tinham como premissa um projeto para uma moradia ecologicamente correta e capaz de ser instalada em diferentes tipos de climas e regiões, por isso os alunos desenvolveram a Casa Solar Flex.


Este projeto tenta colocar em 42 metros quadrados de área útil uma rede de autossuficiência energética que pudesse alimentar a rede elétrica das cidades, tentando reduzir a necessidade de fontes de energia mais caras e poluidoras. Para tanto a casa foi dividia em algumas áreas: área técnica que concentram elementos elétricos, hidráulicos e de ar-condicionado; uma segunda parte, em que ficam o quarto, a cozinha e o banheiro; e uma terceira, que compreende a sala de estar.

Seu espaço interno pode ser moldado de acordo com as necessidades do morador e as paredes e móveis são feitos de madeira de reflorestamento. Na fachada, há painéis fotovoltaicos que captam os raios do Sol e produzem energia. Eles podem ser movimentados automaticamente de acordo com a incidência da radiação solar. No telhado, elaborado por uma das empresas patrocinadoras do projeto, encontram-se fixados mais painéis. No total, 64 placas são utilizadas, 48 somente na cobertura. Além de suportar o peso das placas, o telhado possui um sistema de passarelas que permite ao morador limpá-las com segurança – o acúmulo de poeira pode diminuir a eficiência de produção de energia dos equipamentos.

Estima-se que o valor de construção do metro quadrado da Casa Solar Flex seja de cerca de R$ 11 mil reais. “É importante lembrar que fizemos uma Ferrari da arquitetura”, afirma Arthur Lins, um dos alunos participantes deste projeto. Outras inovações do projeto estão nos sistemas de iluminação, controle de temperatura, água e esgoto. A casa é iluminada por um sistema de LED. O conforto térmico é mantido por meio de um aerogel, colocado dentro das paredes, por um sistema de ar-condicionado e pelo uso de vidros duplos preenchidos com um gás. Esse tipo de vidro é de baixa emissividade, deixando passar a luz e barrando os raios infravermelhos.



No banheiro, é utilizado o vaso seco, sistema pouquíssimo comum no Brasil. Ele faz a compostagem dos dejetos que podem ser eliminados diretamente na terra, sem causar impactos no solo. A casa precisa ser alimentada pela rede de abastecimento de água, mas possui um sistema capaz de armazenar a água da chuva e realizar um tratamento mínimo. Para esquentar a água que sai do chuveiro e das torneiras, há dois painéis fotovoltaicos.


Sem dúvida que este tipo de projeto e concurso ajudam a desenvolver maneiras de melhorar a construção civil sem prejudicar o meio ambiente, mas algumas ressalvas devem ser feitas: pensar um projeto descartando o local aonde será inserido não é um pensamento ecológico, principalmente do ponto de vista urbano, pois outras questoes se colocam pertinente como as densidades, uso do solo e como a edificação se relacionará com o entorno (entre outras). Pode ser que a edificação seja completamente sustentável e não produza nenhum resíduo, mas como esse tipo de projeto constroi uma cidade ecológica?

Alem disso, faço também minha a questão abordada pelo leitor da Época que publicou no site da reportagem a seguinte comentário: “Parabéns à ÉPOCA pela iniciativa de veícular este tipo de informação, normalmente restrita aos meio de comunicação especilizados no tema. É sempre válido o estudo científico que vise demonstrar as soluções futuras para a habitação sustentável, no entanto seria muito mais útil se esta brilhante equipe despendesse os mesmo recursos intelectuais e financeiros em um projeto mais voltado para a realidade nacional. Precisamos de projetos viáveis economicamente, que atendam as classes menos favorecidas. O futuro da construção civil está justamente neste mercado, e a questão ecológica deve ser pregada e oferecida para a grande massa, pois tais conceitos só funcionam em grande escala.”

Outra questão relevante, principalmente como antiga e sempre estudante de arquitetura, acho que esse tipo de intercambio de conhecimento entre diferentes instituiçoes de ensino não deve mais ficar restrita a poucas universidades públicas do sudeste e sul do Brasil. Levando em consideração que mais cabeças pensam melhor, por que não expandir essa iniciativa também para as faculdades particulares e faculdades de outros estados brasileiros? Isso certamente ampliará ainda mais a discussão e só poderá acrescentar melhorias ao projeto.

Fonte: Época e http://www.sdbrasil.org/

Agradecimento a Arq. Michele Poloni Ben de Caxias do Sul por mandar o link para essa postagem.

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