Plano para São Paulo de Jaime Lerner/Secovi

A pedido da Secovi (Sindicato de Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo) o arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner desenvolveu um projeto para a cidade de São Paulo.

Sua intenção principal foi criar cidades dentro da cidade em bairros que foram considerados degradados, buscando criar pólos de moradias, comércio e serviços nesses locais na tentativa de fazer com que a população não tenha que se locomover muito pelo território. “São módulos de ocupação com até dez quadras, com prédios mais altos por fora, que vão diminuindo até chegar a casas, e um setor de serviços no centro”, explica Claudio Bernardes, vice-presidente do Secovi-SP. “Cada pólo terá um mix de classes sociais, para ocupar todas as posições de trabalho necessárias nesses locais.”
O projeto também tem como pressuposto a promoção do uso dos trens metropolitanos e a criação de parques lineares que fariam a integração entre os locais aonde o projeto seria implementado: Nova Luz, Diagonal Sul, Itaquera, Pirituba, Lapa, Leopoldina, Santo Amaro, Iguatemi e São Mateus. “Há muitos locais deteriorados e galpões abandonados ao longo das estações. É aí que os pólos seriam implantados. Não tem interferência grande na cidade”, diz Bernardes.
A prefeitura da cidade de São Paulo não quis comentar o projeto, mas aqui no Ensaios Fragmentados é o local aonde todos podem comentar e colocar sua opinião em relação ao que está sendo pensado para as cidades. Por isso mesmo, em relação ao projeto de Lerner, o que acredito é que ele esteja muito contraditório e genérico.
Talvez por não ter sido amplamente divulgado e devidamente explicado, este projeto pareceu ter escolhido os “bairros degradados” de maneira aleatória, uma vez que a relação de locais explicitados existe vários tipos de situações (locais bem estruturados e outros com menos estrutura dentro do mesmo bairro). Além disso parece altamente inviável conectar todos esses “bairros” com um parque linear, já que existe muitos outros bairros entre eles.
Por ter sido um projeto a pedido da iniciativa privada, obviamente esses “bairros” tem uma razão econômica para serem escolhidos, mas a área para os parques lineares estaria dentro da visão econômica dessas empresas? De quem seriam essas terras então; publicas ou privadas? Es aí uma relação contraditória: quem comanda as intervenções da cidade? O Estado terá que se adequar e dispor de terras publicas para que esses parques sejam viabilizados ou a iniciativa privada comprará as terras desses parques? Será publico então?
Alem disso, parece um pouco utópico pensar que nesses novos pólos do projeto estariam vivendo um “mix de classes sociais” sem qualquer tipo de controle da especulação imobiliária e iniciativa de habitações de interesse social, que definitivamente não é algo que a iniciativa privada tem a intenção de evitar. Quanto mais se “qualifica” os bairros mais caros eles se tornam, fazendo com que as pessoas com menos renda não consigam continuar vivendo nesses locais.
Também bastante estranho foi o tipo de urbanização que esses pólos imobiliários pretendem construir: um centro de serviços e comercio com habitações nas bordas. A idéia de subúrbio americano continua. Ainda não se promoveu a mistura de usos numa mesma quadra, segregando os espaços de acordo com sua função. Alem disso, é muito preocupante que este plano não pense no individuo e na realidade da cidade aonde será inserido.
As pessoas podem trabalhar em locais diferentes de onde moram e vão se deslocar pelo território (se deslocar não é um problema, mas sim como as pessoas se deslocam) e o centro da cidade de São Paulo continua (mesmo com a degradação) sendo o local com maior emprego da cidade. Esse projeto parece não ter levado em conta nenhum desses aspectos e se levou seria muito interessante que os autores explicassem um pouco melhor o porquê de suas escolhas.

Fonte da matéria: eBand

Uma resposta para “Plano para São Paulo de Jaime Lerner/Secovi

  1. Pois é, nestes tempos em que imagem tudo pretende ser, parece crescer o número dos que acreditam que basta papel pintado – ou 3D renderizado na tela 2D – para construir urbanidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s