O Avô dos Arranha-Céus

O Edíficio Sampaio Moreira, localizado no centro de São Paulo, abre as suas portas para os visitantes conhecerem o edifício e atêlies instalados nos conjuntos comerciais.

Foto: Dornicke

Segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o prédio projetado pelos arquitetos Christiano Stockler e Samuel das Neves, será aberto pela primeira vez em 86 anos.

Veja abaixo a matéria completa:

Bem-vindo ao edifício Sampaio Moreira

Até dezembro, o Edifício Sampaio Moreira, no centro de São Paulo, conhecido como “avô dos arranha-céus” da capital, vai se transformar num grande ateliê de obras de arte aberto ao público.

Há um mês, seis artistas utilizam as antigas salas comerciais como estúdios de criação, num processo que pode ser acompanhado gratuitamente – e que representa oportunidade única no edifício, aberto a visitação pela primeira vez em 86 anos.

“Não é um lugar neutro. O ambiente, com a história que carrega, influencia no desenvolvimento das obras, que dialogam com o prédio. Só poderiam ser criadas aqui”, disse a crítica de arte Luisa Duarte, curadora do Red Bull House of Arts, evento responsável pela abertura do edifício.

Hall de entrada (Foto: Clayton de Souza/AE)


Construído em 1924, o Sampaio Moreira sempre teve uso comercial: funcionou como prédio de
escritórios até 2008, quando foi desapropriado pela Prefeitura para instalação da Secretaria Municipal de Cultura (prevista para ser aberta em 2012).

Aos visitantes, a dica é que aproveitem as duas facetas do passeio: além de acompanhar a criação artística nos ateliês, a própria arquitetura do prédio, em estilo eclético, deve ser observada.

Logo na entrada, chamam a atenção as escadarias de mármore de Carrara, o painel de madeira maciça, os elevadores manuais, revestidos em vermelho. E é logo no elevador que aparece a primeira intervenção: uma câmera instalada no fundo mostra o poço do edifício, em movimentação constante, à medida que a cabine sobe e desce.

“Observar a câmera enquanto desce dá a sensação de estar subindo, e vice-versa. Traz sensação de vertigem, que me faz lembrar o centro da cidade”, disse o
artista plástico Henrique César, de 23 anos, “residente” do prédio. “Minhas obras pretendem mostrar o lado escondido das coisas, o que há por trás das portas fechadas, das salas sem luz”, afirmou.

Seis artistas apresentam obras individuais em salas no prédio (Foto: Clayton de Souza/AE)


Dois andares do edifício, o 10º e o 11º, foram ocupados pelos artistas. Os ateliês foram instalados em salas de 15 metros quadrados, com vista privilegiada
do Vale do Anhangabaú, do antigo prédio da Light, do Teatro Municipal.

“Essa vista influencia e pressiona. Aquele teatro recebeu, para ficar num só exemplo, a Semana da Arte Moderna de 1922, o que acrescenta uma dose de pressão no processo criativo”, disse outro residente, o artista Adriano Costa, de 35 anos.

No 10º andar, há ainda uma “galeria transitória”, onde os artistas instalam obras que podem ser modificadas de um dia para o outro. Funciona também como laboratório para a exposição que será realizada na garagem do Sampaio Moreira no dia 25.

A cobertura do prédio, coroada por um pergolado de colunas gregas, é também passagem obrigatória, com vista para o Edifício Martinelli – que com seus 30 andares tirou do Sampaio Moreira o título de arranha-céu em 1934 –, o edifício do Banespa, a Catedral da Sé.

É no terraço, aliás, que a fotógrafa Flávia Junqueira fará sua intervenção: montará uma colorida casa de bonecas de 2 metros de altura. “Vai contrastar com o que há ao redor, os prédios cinzas, que não deixam de ser casas também.”


Fonte: Jornal Estado de S. Paulo

Serviço
Red Bull House Of Arts, no Edifício Sampaio Moreira
Quando: de quarta-feira a sábado
Horário: das 10 horas às 22 horas
Endereço: Rua Líbero Badaró, 346, centro

2 Respostas para “O Avô dos Arranha-Céus

  1. Interessante a iniciativa!! Me incomoda um pouco a Prefeitura desapropiar prédios degradados e instalar suas secretarias neles, como no caso do edifício Esther que ainda mostra um grande potencial para suprir a demanda de habitação e pode ser transformado em prédio público. Porém neste caso, artistas já ocupavam o espaço e com o apoio da Secretaria de Cultura e da iniciativa privada vão ganhar maior visibilidade. Acho que o caminho de qualquer política pública que venha a atuar no Centro de São Paulo deva ter como prioridade a resposta à questão habitacional, esta intervenção ao meu ver poderia estar dentro de um plano mais amplo de acesso à moradia e ser tratada como um programa complementar ao adensamento de bairros da região central. Se tratado como uma iniciativa pontual, por ser pública, perde o sentido e passa a ratificar o conceito de cidade consumo.

  2. Está claro que o centro nao sera para qualquer tipo de habitacao… os edificios antigos serao transformados em edificios publicos e institucionais e novos serao feitos pela mercado imobiliario para dar a oportunidade as pessoas com mais poder aquisitivo possam morar aonde existe maior infra-estrutura, transporte, emprego, vida cultural etc…e aquelas que já viviam alí, lutando pelo direito defendido nos Direitos Humanos, serao relocadas para bem longe, para nao serem vistas no novo cartao postao da cidade de Sao Paulo!

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