Arquitetura sustentável – realidade ou mito(marketing)?

Sustentabilidade passou de uma palavra para um jargão usado por diversos tipos de profissionais e empresas. Por mais importante que seja o crescimento ou a produção sustentável, a palavra perdeu peso por que foi usada em campanhas publicitárias e de marketing para defender a venda de qualquer produto. Ou seja, se usou sem limites um conceito que tenta reverter as formas com que nos desenvolvemos e consumimos, para, na verdade, nos fazer consumir ainda mais.

Na arquitetura parece passar a mesma coisa!

Foto que tenta mudar a realidade – edificios isolados comerciais, muitos com selos de sustentabilidade, na frente do rio Tiete que, na verdade, é totalmente poluído. Por que tentam mudar a realidade? O que ganham com isso?

Logicamente que é necessário que os projetos sejam implantados de forma a ter maior rendimento energético e melhor ventilação e isso não surgiu recentemente, muito menos com o conceito atual de sustentabilidade. As construções vernaculares já buscavam essas vantagens de inserção no terreno e, não só isso, muitas procuravam utilizar recursos naturais de forma equilibrada e menos prejudicial ao entorno.
Os arquitetos modernistas, junto com os avanços tecnológicos, ainda colocavam essas questões como principais antes de começar seus projetos. A quantidade de sol que os quartos devem ter para possam remover ao máximo bactérias, os ventos frios e a ventilação cruzada pra resfriar a casa nos meses de mais calor, a comodidade de certos espaços e a funcionalidade de outros agregados com os recursos naturais existentes.

Por que, então, se fala tanto na arquitetura sustentável atualmente? Ela já não vinha sendo feita?

Parece importante que haja regulamentos para certificar o desempenho energético dos edifícios, que, atualmente, podem até se tornar fornecedores de energia para edifícios vizinhos. Os edifícios podem e devem consumir menos e ser mais respeitosos com o entorno e isso deve ser levado em consideração por esses regulamentos. Mas, como o peso da palavra sustentabilidade diminuiu em geral, na arquitetura não poderia ser diferente.

O que acontece hoje é que os “edifícios sustentáveis” buscam selos e regulamentações como um check-list do que deve ser feito, mas sem ter que pensar realmente no que estão produzindo. Os investidores e construtores usam desses selos como estratégia de marketing para vender as unidades a valores mais altos, e não para tentar melhorar o mudar a maneira que estávamos produzindo arquitetura e a cidade.
Assim, o que encontramos pela cidade são “Pontes Ecológicas” cheias de verde e construídas de bambu, que servem para que os pedestres não atrapalhem a passagem dos carros pelas ruas, ou edifícios com Selo Leed Platinium, o melhor selo ecológico que um edifício poderia receber, mas com 4 andares de garagem subterrâneo a menos de 20 metros de um rio.

O que acontece atualmente, portanto, são edifícios isolados que ganham pontos nesses selos por simplesmente colocar madeira na fachada ou delimitar vagas para carros elétricos (sem que eles existam no Brasil) ou vagas para bicicletas sem a preocupação de pensar como um ciclista chegaria até ali, no meio de cidades poluidoras, excludentes e sem qualquer política adequada para se tornarem mais sustentáveis. Talvez por que isso não tenha sido visto como altamente lucrativo…
Os edifícios servem mais como símbolos do que como local de abrigo cômodo de ser estar e agradável com o restante dos edifícios vizinhos. São sempre dependentes do maior lucro possível, e para isso usam de artifícios da moda, atualmente da sustentabilidade, para transformar as cidades do jeito que alguns ganhem mais as custas de que outros se prejudiquem.

No filme abaixo, produzido por Sean Penn, se conta a historia de um morador de NY vizinho as antigas Torres Gêmeas, que depois do atentado e a queda das mesmas, recebeu sol novamente em sua janela. Logicamente que o atentado foi uma situação horrível e alarmante, mas o interessante deste curta é essa visão de como alguns edifícios podem afetar o recebimento dos recursos naturais mais básicos de seus vizinhos e, mesmo assim, serem considerados símbolo de qualidade e das cidades.

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