Arquitetura Fashion Week em São Paulo – tão efêmera quanto um desfile de grifes!

Como São Paulo quer sair dos edifícios neoclássicos para edifícios de “Stararchitects” sem nenhum propósito ou interesse a não ser aumentar em alguns milhões no lucro por unidade habitacional?

Olha que bom: São Paulo esta cada vez mais próxima de ser uma cidade global!! Teremos não somente a obra de Herzog & De Meuron na Luz, mas também do arquiteto americano Daniel Libeskind no Itaim Bibi! Dessa vez, financiado pela iniciativa privada que teve como objetivo, como explica Luciano Amaral, diretor de Incorporação da JHSF que chamou Libeskind para o projeto: “Ter um arquiteto renomado vira um referencial, o que é superimportante no segmento de alto padrão. Isso encareceu o projeto em cerca de 10%, o que não é muito. É um jeito de agregar valor”.

O projeto é uma torre residencial de alto padrão com 14 apartamentos de áreas que variam entre 558 e 1.146 metros quadrados, cujas unidades menores valerão uma bagatela de R$ 9 milhões. Ou seja, mais de R$16 mil por metro quadrado. Nada mal para uma cidade que tem grande parcela da sua população vivendo em condições precárias e com risco de morte.

Alem disso, parece muito interessante que essa mesma empresa foi a responsável pela construção do conjunto com “roupagem” neoclássica do Shopping Cidade Jardim, que foi duramente criticado e ainda não conseguiu vender todas suas unidades. Talvez por que o preço da cobertura, por exemplo, seja de míseros R$18 milhões. Mas isso não importa, já que o problema não é o preço e sim o estilo, Amaral também afirma que: “É, o neoclássico caiu um pouco no lugar comum”.

Esse tipo de empreendimento mostra claramente que arquitetura está sendo feita por marketeiros de plantão que “inventam sonhos” e colocam na cabeça das pessoas o que elas devem gostar ou não, dependendo, logicamente, da maior expectativa de lucro. Não se trata de ser uma arquitetura de qualidade, com valor agregado que provoque uma dinâmica para a cidade e seu moradores, pelo contrario, como o Prof. João Sette aponta, é uma disputa de alta costura: um mês é bonito se vestir como um Greco-romano e outro mês é bonito se vestir como um punk, “com uma pegada rocker”.

Contudo, somente uma parcela muitíssimo pequena da população de São Paulo poderá usufruir desse projeto feito por um arquiteto mundialmente famoso, mas que depois de uns meses já estará fora de moda… e o resto da população? Que resto?!

Mais sobre esse assunto em:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101114/not_imp639577,0.php

Materia de Rodrigo Brancatelli que está muito boa! Vale a pena ler.

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