Rio: Será que tem jeito?

O Rio de Janeiro vive atualmente um ambiente de guerra civíl. Praticamente todo o efetivo da polícia estadual e um grande reforço de policiais federais e do exército trabalham em uma mega-operação como resposta aos ataques que traficantes fizeram pela cidade nos últimos dias. As declarações das autoridades são otimistas e passam a errada idéia de que o Estado retomou o território. Operações policiais são feitas de tempos em tempos, mas nunca foi vista em tamanha escala. Temos a impressão que o atual secretário de segurança pública, José Maria Beltrame, inspirou-se em Eliot Ness, seu equivalente no cargo na Chicago dos anos 30, conhecido por ter acabado com o crime organizado liderado por Al Capone. Mas assim como Ness, que viu outros grupos criminosos ocuparem o vácuo deixado por Capone, sem executar ações estatais complementares Beltrame pode ter seu esforço neutralizado pela velha ineficiência do Estado brasileiro. É essencial que o Estado retome o território não somente com policiais e aparato militar. Os morros e subúrbios cariocas necessitam de escolas, hospitais, bibliotecas, saneamento BÁSICO, infra-estrutura, moradias dignas e construídas de modo regular. Essas são apenas necessidades primárias que não são oferecidas a essa parcela marginalizada da população. Na operação em curso o governador Sérgio Cabral promete que essas ações serão implementadas logo após a “pacificação”do território. Mas palavras são fáceis de se perder no show midiático que se instaurou na antiga capital do País. Se o Estado realmente deseja oferecer a essa população esquecida os serviços que são seu direito constitucional, onde é que se encontram os projetos de toda essa gigantesca infra-estrutura que precisará ser construída para prover essas áreas do mínimo de salubridade urbana? Porque não é dada a mesma importância e o mesmo espaço na mídia, para o que de fato é o problema? Não ouvimos falar sequer uma vez da reforma urbana profunda que é necessária para o Estado realmente retomar os territórios transformados em guetos pelo seu próprio descaso. Se as reais questões do problema não forem realmente enfrentadas, veremos a partir de agora, de tempos em tempos, o sensacional espetáculo de “pacificação”da opinião pública através da força bruta.

3 Respostas para “Rio: Será que tem jeito?

  1. Amei seu post Juca! Tava pensando em escrever sobre isso, mas nem preciso mais!! Eh um absurdo o que esta sendo feito! Parece que se inspiraram no Tropa de Elite 2 ne?? Caminhoes blindados e de guerra e tudo q tem direito! Parece que eles esquecem que o problema de tudo isso é de natureza social e economica! Falta maior distribuicao de renda! Falta mais oferta aos direitos basicos para as pessoas mais carentes!! Sem isso nada muda!!Eu nao consigo sequer olhar as imagens desse absurdo! Sempre me coloco na posicao de uma mae que saiu para trabalhar e quando volta para casa encontra um tiroteio e nao pode entrar… e seus filhos e toda sua vida esta sob balas! Nossa, me faz mto mal isso!! É praticamente uma sociedade de castas! Aqueles q tem dinheiro s protegem e usufruem das coisas boas, aqueles que nao, que se danem!! Nunca vao ter uma vida calma e dificilmente conseguirao mudar essa realidade!!Estou indignada!

  2. O documentário do cineasta João Moreira Salles – Notícias de uma guerra particular- mostra como a exclusão social produz esta insanidade que estamos vendo, em um dos depoimentos do vídeo, um delegado da polícia civil diz com todas as palavras que a única forma encontrada pelo estado de manter um grande número de miseráveis sob controle e pacíficos é investindo em repressão policial. A possibilidade das drogas serem legalizadas ou não, simplesmente não muda em nada o futuro de grande parte da população do Rio de Janeiro que continuará vivendo em favelas, ou seja, com ou sem a indústria da droga, os pobres continuarão lá. Eles assinam antes mesmo de vir ao mundo um contrato social no qual a estrutura econômica dominante lhes impõe como uma única forma de inserção o conformismo e a impossibilidade de ascensão, talvez essa emboscada produza esse exército de jovens traficantes hedonistas e suicidas que procuram na vida um breve instante de poder. Parece que todos vêem no desarmamento dos morros cariocas o bálsamo que mais uma vez irá anestesiar as desigualdades tão marcantes de nossa sociedade, mas no entanto persiste esfumaçada a grande violência, esta que mora no empobrecimento intelectual e moral de tantas vidas humanas, a violência cotidiana que é aceitar simplesmente que estas pessoas nunca serão incluídas nos circuitos mais interessantes da vida social da "cidade maravilhosa". Aliás me engano, afinal um turista, seja ele paulista ou alemão, com certeza acharia incrivelmente pitoresco e culturalmente rico observar tal qual em um zoológico esses moradores tão insuportavelmente alegres em seu habitat "natural", a favela.Excelente texto Juça!!

  3. Ótimo Post e excelentes comentários. Sobre o assunto, acordei hoje cedo, depois de ver na TV a "invasão" no Alemão com uma letra de uma música na cabeça: "Sinistros como são Tonton Macoute: Não querem que nada mude, querem deixar o povo eternamente no mute."

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