É ecologicamente factível e desejável o crescimento econômico? – ¿Es ecológicamente factible y deseable el crecimiento económico?

Texto por Helo Barbeiro

A utopia econômica de crescimento infinito faz tempo que provoca grandes dinâmicas perversas não somente ao meio ambiente, assunto abordado com mais intensidade pelos pensadores atuais, mas também produz um problema social enorme. Alguns países mais ricos conseguiram seu status por ter imposto a forma econômica atual e, para tanto, não só contaminaram o meio ambiente para uma maior industrialização, mas também exploraram a mão-de-obra dos países mais pobres, seus territórios e riquezas.

Parece um tanto triste que os assuntos relacionados com a má distribuição de recursos e renda só apareçam em um contexto de mudança climática e degradação do meio ambiente. Isso porque, segundo o Relatório de Brundtland, se um país degrada seu meio ambiente não somente esse país vai sofrer as conseqüências, mas todo o planeta. Assim, através do meio ambiente, se está tomando consciência de que todos vivemos juntos e que estamos sempre inter-relacionados, não somente economicamente, mas também socialmente.

Desta maneira, as decisões políticas de cada país podem e influem diretamente nos outros. Para a manutenção do hiperconsumo, necessário para a conservação da sociedade de hoje, se faz necessário mais de 1.700 milhões de consumidores sendo que a metade está nos países em desenvolvimento. Essa situação passa dos limites de capacidade de carga do planeta, que só vai ganhar mais força com o passar do tempo, já que nenhuma entidade ou governo procura freiar a produção.

Ao contrario, segundo Gardner, as rondas de negociações comerciais e o processo de globalização sempre buscam novas formas de aumentar o comercio entre países. Essas condições não são feitas de forma justa, já que aqueles países mais ricos são também aqueles que obtém mais lucro. Isto porque, como citado por Sandra Postel e Gardner, o Gatt, órgão que regula as formas de comercio de maneira justa entre os países, tem como pressuposto desde sua criação as taxas alfandegárias agrárias na Europa e nos Estados Unidos. Essa dinâmica desfavorece os países mais pobres já que são esses que costumam vender produtos agrários, mas não conseguem competir nos maiores mercados mundiais.

A necessidade de adequar-se a dinâmica capitalista leva os países mais pobres a buscar soluções que nem sempre são sustentáveis. Assim, quando as necessidades básicas de um povo não são satisfeitas, é impossível requerer deles soluções menos impactantes ao meio ambiente (mas, mesmo com essa situação, muitas destas pessoas que se encontram fora da realidade econômica atual, são muito responsáveis com a natureza já que dependem dela para viver). E esse cenário é produzido pela dinâmica atual que, para manter poucos com melhores condições de vida, obriga que muitos não tenham acesso a condições básicas para sobrevivência.

Enquanto a China produz milhões de produtos de forma contaminante, estes produtos são, em sua maioria, consumidos nos países mais ricos. Assim, de quem seria a responsabilidade pela poluição, devastação e desigualdade social na China? Os próprios chineses ou aqueles que consomem os produtos? Em uma visita do Presidente Obama a China, ele fez um discurso dizendo que o governo chinês teria que buscar soluções para a exploração da mão-de-obra e para o trabalho infantil, mas se esqueceu de sua parte nessa realidade… Muitas das empresas americanas se mudaram para China exatamente pelas condições de trabalho que favoreciam a baixa de custos e conseqüentemente mais lucros. A nação americana não deixou de comprar produtos porque eram feitos com mão-de-obra explorada, pelo contrario, com a baixa dos preços, só fizeram comprar mais. Mais uma vez, de quem é a responsabilidade então?

As situações se colocam sempre de forma muito paradóxica, já que o sistema econômico vigente não é um sistema que busca um equilíbrio geral. É um sistema piramidal que necessita de um constante crescimento econômico para sua manutenção, e, sempre busca o crescimento demográfico como formula de desenvolvimento. Leva-se ao circulo vicioso que, como dito por Postel, quanto mais recursos utilizados, mais população, mais desgaste e contaminação dos recursos, menos população, mais recursos, mais população…

Com os prejuízos ambientais também se agravam cada vez mais as desigualdades e a pobreza, uma vez que a sobrevivência humana é dependente de múltiplos serviços ecológicos subministrados por sistemas naturais. Ou seja, quanto menos recursos naturais a serem exportados a um mercado injustos, menos lucro e menos possibilidades de sair da pobreza. Essa é a realidade atual já que 2.800 milhões de pessoas viviam com U$ 2,00 por dia em 1999, quantidade considerada mínima para satisfazer as necessidades básicas e 1.200 milhões viviam com menos de U$1,00 por dia.

Somente será possível atingir o primeiro mandamento do desenvolvimento ecológico de satisfazer as necessidades das gerações presentes sem comprometer as necessidades das gerações futuras quando já não haja déficit das necessidades básicas no mundo. Ou seja, somente com o fim da pobreza mundial seria possível pensar em um mundo ecologicamente correto por que, antes de tudo, o planeta necessita ser socialmente justo.

O crescimento econômico só faria sentido se fosse para buscar uma forma de equidade social e distribuição de renda, mas se necessitaria de uma consciência política entre todos para que possamos sair do sistema piramidal. Já que o PIB mundial é de uns U$ 60 trilhões, há que repartir-lo de forma equitativa e ajudar os países menos desenvolvidos a buscar condições de vida, saúde, educação etc. Somente com o bem-estar de todos assegurado se poderia pensar em um mundo mais sustentável.

Desta maneira há que atingir um crescimento econômico para reverter a calamidade social que se encontra muitos países e somente depois disso e de uma consciência generalizada de que todos vivemos no mesmo barco e que somos iguais, poderiamos pensar em um crescimento econômico zero com qualidade ambiental e manutenção da natureza para as próximas gerações.

Segundo o economista David Harvey em entrevista a uma televisão brasileira: ” (…) sem estarmos comprometidos com 3% de crescimento para sempre. Eu sei que isso parece utópico, mas se você me perguntar se este é o coração, o cerne, da minha visão utópica, minha resposta é que sim, é isso que deveríamos ter. Crescimento zero, e o enorme florescimento da capacidade e do poder humano.”

Como conclusão ficaria uma pergunta, será que as preocupações com o meio ambiente levarão a conscientização de um planeta composto por muitos ecossistemas e vidas interdependentes e, conseqüentemente, com grande importância, que as pessoas perceberão que não há diferenças entre elas, entre regiões e entre países? Se isto acontece, não somente terá mudado a consciência das pessoas, mas também o pensamento econômico. Espero que seja isso que proporcionemos para as novas gerações.

Texto original:

La utopía económica del crecimiento infinito hace tiempo que provoca grandes dinámicas perversas no solamente al medio ambiente, asunto abordado con más intensidad por los pensadores actuales, pero también produce un problema social enorme. Algunos países más ricos han conseguido ese status por tener impuesto la forma económica actual y, para tanto, no han solo contaminado el medio ambiente para una mayor industrialización, pero han también explorado la mano de obra de los países más pobres, sus territorios y riquezas.

Parece un tanto triste que los asuntos relacionados a la mala distribución de recursos y renta solo aparezcan en un contexto de cambio climático y de degradación del medio ambiente. Eso porque, según el Informe de Brundtland, si un país degrada su medio ambiente no solamente ese país sufre sus consecuencias. Así, a través del medio ambiente, se esta tomando conciencia de que todos vivimos juntos y que estamos siempre interrelacionados, no solamente económicamente, pero también socialmente.

De esa manera, las decisiones políticas de cada país pueden e influyen directamente en los otros. Para el mantenimiento del hiperconsumismo, preciso para conservar la sociedad de hoy, se necesita más de 1.700 millones de consumidores en el mundo, siendo que la mitad está en los países en desarrollo. Esa situación pasa de los límites de la capacidad de carga del planeta, que solo va a tener más fuerza con lo largo del tiempo, ya que ninguna entidad o gobierno procura frenar la producción.

Al contrario, según Gardner, las rondas de negociaciones comerciales y el proceso de globalización siempre buscan nuevas formas de aumentar el comercio entre los países. Esas condiciones no son hechas de forma justa, ya que aquellos países más ricos son también aquellos que obtienen más ganancia. Eso porque, ha citado Sandra Postel y Gardner, el Gatt, órgano que busca mantener las formas del comercio justo entre países, tiene como presupuesto desde su creación los aranceles agrarios de Europa y Estados Unidos. Esa dinámica desfavorece los países más pobres ya que ellos suelen vender los productos agrarios, pero que no consiguen competir en los mayores mercados mundiales.

La necesidad de adecuarse a la dinámica capitalista lleva los más pobres a buscar soluciones que ni siempre son sostenibles. Así, cuando no están satisfechas las necesidades básicas de un pueblo, es imposible requerir que opten por soluciones menos impactantes al medio ambiente (pero aún exista esa situación, muchas de esas personas que se encuentran fuera de la realidad económica actual, son todavía más responsables con la naturaleza porque la dependen para vivir). Y ese escenario es la dinámica actual que, para mantener algunos pocos con mejores condiciones de vida, obliga que muchos no tengan acceso a las condiciones básicas para sobrevivencia.

Mientras que China produce millones de productos de forma contaminante, eses productos son, en su mayoría, consumidos en los países más ricos. Así, ¿quién serie el responsable por la polución, devastación y desigualdad social en China? ¿Los propios chinos o aquellos que consumen sus productos? En una visita del Presidente Obama a China, él ha hecho un discurso diciendo que el gobierno chino tendría que buscar soluciones para la exploración laboral y el trabajo infantil, pero se ha olvidado de su parte en esa realidad… Muchas de las empresas americanas se han trasladado a China exactamente por esas condiciones laborales que favorecían la bajada de sus costes y consecuentemente más ganancia. La nación americana no dejo de comprar eses productos porque eran hechos con mano de obra explorada, justo al revés, con una bajada de los precios, solo hicieron comprar cada vez más. Mas una vez, ¿de quién es la responsabilidad entonces?

Las situaciones se ponen siempre de forma mucho paradójica, ya que el sistema económico vigente no es un sistema que busca un equilibrio general. Es un sistema piramidal que necesita de un constante crecimiento económico para su mantenimiento, y ese crecimiento económico siempre busca el crecimiento demográfico como fórmula de desarrollo. Se llega a un círculo vicioso, como dicho por Postel, que cuanto más recursos utilizados, más población, más agotamiento y contaminación de eses recursos, menos población, más recursos, más población etc.

Con las pérdidas ambientales también se agrava cada vez más las desigualdades y la pobreza una vez que la sobrevivencia humana es dependiente de una multitud de servicios ecológicos suministrados por sistemas naturales. O sea, cuando menos recursos naturales para explotar a un mercado injusto, menos ganancia y menos posibilidades de salir de la pobreza. Esa es la realidad actual ya que 2.800 millones de personas vivían con menos de U$ 2,00 por día en 1999, cantidad considerada mínima para satisfacer las necesidades básicas y 1.200 millones vivían con menos de U$ 1,00 por día.

Solo será posible lograr el primero mandamiento del desarrollo ecológico de satisfacer las necesidades de las generaciones presentes sin comprometer las necesidades de las generaciones futuras cuando ya no haya déficit de necesidades básicas en el mundo. Es decir, solamente con el fin de la pobreza mundial sería posible pensar en un mundo ecológicamente correcto por que, antes de todo, el planeta necesita ser socialmente justo.

El crecimiento económico solo haría sentido se fuera para buscar una forma de equidad social y distribución de renta, pero se necesitaría de una conciencia política entre todos para que salgamos del sistema piramidal. Ya que en PIB mundial es de unos U$60 trillones, hay que repartirlo de forma equitativa y ayudar los países menos desarrollados a buscar condiciones de vida, sanidad, educación etc. Solamente con el bienestar de todos asegurado que se podría pensar en un mundo más sostenible.

De esa manera hay que lograr un crecimiento económico para reverter la calamidad social que se encuentran muchos de los países y solamente después de eso y de una conciencia general que todos vivimos en el mismo barco y que somos iguales, podríamos pensar en un crecimiento económico cero con calidad ambiental y mantenimiento de la naturaleza para las próximas generaciones.

Según el economista David Harvey a una entrevista a una televisión brasileña: “ (…)sin quedarnos comprometidos con el 3% de crecimiento para siempre. Yo sé que eso parece utópico, pero se tú me preguntas se ese es el corazón, la cerne, de la mi visión utópica, mi respuesta es que sí, es eso que deberíamos tener. Crecimiento cero y el enorme florecimiento de la capacidad y del poder humano.”

Como conclusión se quedaría una pregunta, ¿será que las preocupaciones con el medio ambiente llevarán a la concientización de un planeta compuesto por muchos ecosistemas y vidas interdependientes y, consecuentemente, con gran importancia, que las personas percibirán que no hay diferencias entre ellas, entre regiones y entre países? Si eso ocurre, no solo habrá cambiado la conciencia de las personas, pero también del pensamiento económico. Espero que sea eso que proporcionemos para las próximas generaciones.

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