E cadê a “Liberté, Igualité, Fraternité” da França?

O ministro da imigração francês anunciou que este ano já foram repatriados 8.030 cidadãos oriundos da Romênia e Bulgária. Deverão partir mais 283 ciganos.

Segundo o jornal El Pais, o primeiro ministro francês François Fillon escreveu uma carta a Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, pedindo-lhe que se assegure que os quatro bilhões de euros de fundos europeus entregues à Romênia sejam usados para resolver a imigração ilegal, sugerindo como medida de pressão o bloqueio do seu ingresso no Espaço Schengen.

Por seu lado, o ministro da imigração Eric Besson anunciou aos jornalistas que a França já expulsou este ano 8.030 cidadãos de origem romena e búlgara. Sublinhando o caráter “normal” da última leva de expulsões que tem levantado grandes protestos na França, Besson diz que “o plano de desmantelamento dos acampamentos ilegais enquadra-se nos procedimentos de repatriamento já utilizados em anos anteriores”.

“É claro que não me agrada, não agrada a ninguém. Mas também vos digo: há países no mundo em que os repatriados ficam em situação bem mais difícil que os romenos. Eu sei que a Romênia não é o paraíso, mas que eu saiba é uma democracia. E a França só está fazendo o que lhe compete. E está fazendo bem. É mais generosa que a maioria dos países europeus”, disse ainda Eric Besson em entrevista à Europe 1.

O ministro francês também rejeitou as críticas do papa católico Bento XVI, que falou em francês para dizer que os textos litúrgicos “fazem também um convite para saber acolher as legítimas diversidades humanas”, aumentando as críticas da igreja francesa à política de expulsões de ciganos. “O papa? O que é que ele disse? O que é que ele disse concretamente? Fez uma ode à fraternidade universal! Em que é que a França falhou?”, perguntou Besson na mesma entrevista.

As críticas à vaga securitária de Sarkozy e do governo da direita estendem-se ao próprio espaço político do presidente. Dois antigos primeiros-ministros da direita francesa, Dominique de Villepin e Jean-Pierre Rafarin, vieram condenar a iniciativa da UMP no poder, falando inclusive de “vergonha” para o país. Desde 28 de julho, dia em que Sarkozy promoveu uma reunião no Eliseu para tratar “dos problemas causados pelos comportamentos das pessoas viajantes e dos ciganos”, já foram obrigados a sair da França 681 romenos e búlgaros.

Estão previstos mais dois voos, um com partida de Paris levando a bordo 158 repatriados e um outro com partida de Lyon transportando 125 pessoas expulsas do solo francês. Ao todo, terão sido 8.313 ciganos expulsos desde o início do ano até ao fim do dia de hoje.

Fonte: Carta Capital

Parece muito alarmante que, dentro da União Européia, aonde está é permitido o livre transito de pessoas, bens e capital, alguns cidadãos europeus sejam privados de tais direitos por seu modo de vida ou por condições econômicas. A Relatora Especial para o Direito à Moradia Adequada, através da relatora Raquel Rolnik, discutiu tal questão:

Ciganos e Direito à Moradia:
No início deste mês, a Relatora Raquel Rolnik participou da conferência “Improving Access to Housing for Roma: Good Local Practices, Funding and LegislationRoma and Housing” (Melhorar o direito à moradia para os ciganos: boas práticas, financiamento e legislação), em Praga, na República Checa .
Clique para ler a declaração da Relatora no evento.

Fonte:Direitoamoradia.org

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