Boca no Trombone: Arquitetos brasileiros ou estrangeiros – discussão do ensino e a profissão no Brasil

Ontem, depois que meu pai me mandou uma matéria da Folha sobre uma ajuda que possivelmente Dilma dará a Portugal, incluindo a contratação de arquitetos e engenheiros portugueses no Brasil, comecei um debate com alguns amigos, alguns colaboradores aqui do Ensaios Fragmentados, sobre esse tema e sobre a profissão e o ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil. Muita coisa legal foi discutida entre nós, e por isso achei importante fazer esse Boca no Trombone, para que mais gente possa debater sobre estas questões.

Segundo o texto da Folha: “A visita de Lula e sua sucessora era uma vista pelo governo português como uma oportunidade de atrair investimentos, ainda que indiretos, do Brasil. Na noite de segunda-feira, Dilma tinha um jantar programado com o premiê Sócrates para discutir negócios entre os dois países, como a possível contratação de engenheiros e arquitetos de Portugal, como a Folha já havia noticiado.”

Primeiramente acho que deve existir solidariedade entre países e um deve sim ajudar ao outro em momentos de crise. Inclusive, se isso fosse uma pratica corriqueira, não teríamos países com índices de pobreza tão absurdos, como ainda acontece em alguns países africanos. Contudo, o que me indigna, é a falta de reciprocidade. Quando Portugal, e mesmo outros países da União Européia, estavam em crescimento econômico e com economias fortes, nenhum profissional qualificado brasileiro tinha portas abertas e grandes facilidades de acesso aos mercados de trabalho europeus. Com a crise, essa situação piorou ainda mais. Não existe a mesma mobilidade de profissionais brasileiros (digo de maneira regularizada, por que informais sempre existem) como está sendo incentivando pela nossa presidenta.


No caso da Espanha, que tenho mais informações, para a convalidação do diploma de Arquiteto e Urbanista do Brasil, é necessário que o brasileiro já formado, volte para faculdade por, pelo menos, 2 anos. Ou seja, dois anos que a pessoa não teria um visto de trabalho, somente visto de estudante, que não te dá direito a um trabalho formal. Praticamente impossível, não é?! Pelo que parece, os portugueses teriam o direito de assinar projetos no Brasil, mais ainda não está exposto de forma muito clara.


Logicamente que a diversidade de profissionais só levaria a uma melhora da produção da arquitetura brasileira. Assim, quanto maior a integração de profissionais de vários países, melhor a produção final – tanto no Brasil, como fora dele. Alem disso, as diferenças entre o ensino de arquitetura nos diversos lugares também pode contribuir para um “mix” maior de opiniões e produção.


Fato é que o ensino europeu de arquitetura e urbanismo está a anos-luz do ensino brasileiro. Começa que os estudantes europeus praticamente não trabalham durante a faculdade; logicamente que fazem estágios e trabalhos temporários, mas não como os estudantes/estagiários brasileiros, que muitas vezes dependem do estagio (aonde exercem função de arquiteto) para pagar a própria faculdade. Alem de que os professores universitários são pesquisadores, obrigatoriamente, e dedicados somente a uma universidade, o sistema de bolsas para a pesquisa e para mobilidade de estudantes é absolutamente mais acessível para uma grande maioria etc.


Poder-se-ia discutir que essas condições proporcionadas pelo Estado de Bem-estar só são possíveis porque existem outros que vivem no “mal-estar”, mas deixaremos isso para outro Boca no Trombone. A questão aqui é que, apesar de uma qualidade de ensino indiscutivelmente maior em outros países, mesmo assim os arquitetos brasileiros não deixam a desejar. Isso não descartaria a necessidade de grandes reformas na maneira de ensinar arquitetura no Brasil, mas temos que qualificar os profissionais brasileiros, pelo menos, no mesmo nível que os outros. Talvez pelas lacunas do nosso sistema de ensino, buscamos conhecimentos autodidatas que eliminam grande parte das diferenças entre arquitetos brasileiros e de outros países.


Todavia aí surge uma pergunta: Porque então a produção arquitetônica brasileira atual não apresenta os mesmos níveis e inovações que países do próprio continente Americano, como Colômbia, Chile, México e Argentina? Na minha opinião, porque ainda estamos na sombra do Modernismo e do Niemeyer. Ainda temos muitos arquitetos viúvos da Escola Paulista que acabam produzindo exatamente a mesma coisa que se produzia em 1950, sem qualquer tipo de inovação.


É irrefutável a qualidade do movimento moderno brasileiro, mas já estamos em 2011 e é possível pensar outros tipos de soluções arquitetônicas, em planta, em corte, em 3D, em materiais, em pesquisa… em muitos âmbitos! Temos que olhar para os lados e ver que a produção de arquitetura mudou que o ensino de arquitetura não é mais em cima de uma prancheta! Podemos sim aprender com os profissionais de fora, mas também podemos ensinar e mostrar ao mundo que a arquitetura brasileira não é só uma vanguarda ou um arquiteto.

Qual a sua opinião sobre esse tema?! Escreva para ensaiosfragmentados@gmail.com e postaremos seu comentário!

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