Barbie Arquiteta

parte do texto de Gabriel Fernandes
No início deste ano a Mattel passou a comercializar uma versão “Arquiteta” da boneca Barbie. Como se sabe, a empresa produz centenas de versões da Barbie, para cada uma das profissões (nos anos 60 ela já foi bailarina, baby-sitter e astronauta). A versão “Arquiteta”, no entanto, só foi produzida este ano.
O acontecimento foi celebrado pelas arquitetas Kelly Hayes McAlonie (biógrafa da primeira arquitetura estadunidense e presidente da sucursal novaiorquina do Instituto Americano de Arquitetos) e Despina Stratigakos (professora da Universidade Estadual de Nova Iorque em Buffalo), que chegaram mesmo a elaborar uma campanha para pressionar a Mattel a lançar o brinquedo.

O fato foi noticiado pelo relevante blogue Design Observer e os comentários são interessantes (alguns comemoram o fato da Barbie vir acompanhada de um capacete de obras, outros dizem que isto é preconceito, pois arquitetos de verdade pouco frequentariam canteiros…). O blogue Architizer reuniu outros comentários: ela deveria usar calças ao invés de saia, cabelo curto ao invés de comprido, trocar o canudo por um iPad, trocar o salto por botas adequadas a canteiros. Barbie Arquiteta também vem acompanhada de uma mini-maquete (que mais parece de fato uma mini-casa-de-bonecas). Chegaram até mesmo a questionar a certificação LEED dos projetos da arquiteta Barbie, pois a casinha que a acompanha não responderia a critérios de sustentabilidade…

 

Como se vê, comentários superficiais, quase nada sobre o caráter sexista da boneca. O único comentário mais lúcido parece ter sido este (o grifo é meu):

 

“Women of a certain age, i.e., my generation, know what the feminist revolution was really all about and what Barbie symbolizes. Barbie is a sexist symbol. Our colleagues must be very very careful with this issue. Promoting architecture in a sexist way with a sexist venue is not good for any of us, male or female. This is not a positive way to “convince the public of our value”. And this is not “a great opportunity…and a win win”. It is only a win for Mattel.

I actually find it incredible that AIA was involved with the creation of this doll by Mattel considering all the problems us architects have that they could be spending their time on.. This new doll has been in the news already for a few weeks, in prominent press, and has received mixed reviews, from applauding the idea of dolls influencing young girls (and by the way, there is controversial research data as to whether they actually do) to mocking the taffy plastic pink house and retro drawing tube etc. Search the news media and you will see many comments about this “fetish in pink”.

Many of us who grew up and marched in the streets in the turbulent times of the 60s and 70s never gave our children Barbie dolls…and that was on principle. You must realize that the Barbie doll is a vestigial symbol of the time when women were not accepted in the field of architecture, or many other fields for that matter. If Barbie has transformed into a positive female role model, I sure don’t see it. Across our society we are currently suffering a swing of the pendulum back to the time before feminism. Do you all really romanticize the “MadMen” era?”

Inda Sechzer, Kander Sechzer Architectural Partnership, 8 de abril de 2011

Como se sabe, a Bauhaus não foi a escola unanimemente progressista que as histórias oficiais da arquitetura moderna contam. Às mulheres eram reservados os cursos “femininos”, como tapeçaria. Mais aqui: mulheres esquecidas da Bauhaus (e todos aqueles homens superestimados).

2 Respostas para “Barbie Arquiteta

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