Empresas estrangeiras entram na disputa

Edifício Vitra – Daniel Libeskind
A contratação do arquiteto americano de origem polonesa Daniel Libeskind – responsável pelo projeto que irá substituir o World Trade Center, em Nova York – pela incorporadora JHSF para desenhar o Edifício Vitra, em São Paulo, é apenas a ponta mais visível de um movimento de empresas estrangeiras que se voltam para o mercado brasileiro, diante da ascensão econômica do País e do crescimento do setor imobiliário.

As companhias são de diferentes áreas. Há escritórios de arquitetura com trabalhos em diversas partes do globo, como o Studio Daniel Libeskind, o holandês OMA e o português Openbook.

Fabricantes de materiais de construção também se instalaram no Brasil, a exemplo das portuguesas Investwood (placas de fibras de madeira), com processo concluído no início deste ano, e Reynaers (janelas, portas e fachadas de alumínio), que chegou no final de 2010, e a igualmente lusitana Valchromat (MDF colorido), que instala fábrica no País. Incorporadoras como as portuguesas Soares da Costa, Teixeira Duarte e Bascol, estão aqui há cerca de dois anos. Essas novas tecnologias e materiais de alta performances e traduzirão na melhoria dos processos construtivos e, por consequência, na elevação da qualidade dos novos imóveis. Quem ganhará com isso, no final da cadeia, será o consumidor.

“O mundo inteiro está olhando para o Brasil”, diz o sócio da Openbook, Paulo Jervell, de 38 anos. Desde que chegou ao País, em agosto do ano passado, a empresa de arquitetura e engenharia conquistou seis projetos, entre Eles um condomínio em área de 100 mil metros quadrados na cidade de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e um edifício residencial nos Jardins, em São Paulo.

“Viajo o mundo inteiro e ouço sempre a mesma pergunta: ‘o que está acontecendo no Brasil e na China?’”, diz Peter Turzo, vice-presidente da Sotheby’s International Realty, imobiliária especializada em produtos de alto padrão e licenciada da casa de leilões londrina Sotheby’s. Turzo esteve em São Paulo na semana passada para falar a um grupo de investidores e incorporadores sobre os planos da empresa no País: fechar 2011 com um faturamento de R$ 1 bilhão.

No ano passado as vendas somaram R$ 300 milhões, 20% superior em relação a 2009. Embora não divulgue seus projetos, a empresa holandesa de arquitetura e urbanismo OMA, com escritórios em Roterdã, Nova York, Pequim e Hong Kong, e que tem entre seus sócios um vencedor do Pritzker (Rem Koolhaas), o maior prêmio mundial de arquitetura, declarou para o Estado por e-mail: “Os sócios Victor van der Chijs e Shoshei Shigematsu recentemente visitaram São Paulo em resposta a várias oportunidades de projetos apresentadas à firma. Embora não seja possível anunciar os detalhes no momento, estamos interessados no mercado brasileiro e pretendemos retornar muito em breve.”

O arquiteto Libeskind também tem acompanhado o mercado nacional: “A economia brasileira passa por um rápido crescimento e haverá muitas oportunidades para arquitetos em geral.

Para mim é o espírito vibrante e criativo do País que faz dele um lugar inspirador para trabalhar.”  

Honorários

Certamente a doce visão em relação ao Brasil é o que menos interessa nesse cenário de negócios. Para competir no mercado local, as empresas estrangeiras estão readequando seus preços à realidade nacional, caso do próprio Libeskind.

“Ficamos um pouco surpresos ao receber o valor proposto pelo arquiteto”, revela Luciano Amaral, diretor de incorporações da JHSF, que contratou o profissional para o Edifício Vitra, na Rua Horácio Lafer.

O valor cobrado pelo arquiteto foi só cerca de 30% maior em comparação a alguns dos melhores arquitetos brasileiros, diz o executivo da JHSF. “Os escritórios internacionais querem entrar no País e estão reduzindo seus honorários. Libeskind deixou claro que deseja fazer outros projetos para a JHSF além do Vitra, seu primeiro trabalho no País”, afirma. Lançado em novembro, o edifício começará a ser erguido em julho. Os 13 apartamentos – sendo um dúplex na cobertura – terão plantas distintas, com área útil de 565 m² a 1.145 m². Do total de unidades, cujos valores vão de R$ 8milhões a R$ 15milhões, 11 foram vendidos até o momento.

“O público de altíssimo padrão sempre busca algo diferente e um projeto do nível de Libeskind é fator diferenciado de venda”, diz Amaral.

Jervell, da Openbook, empresa de arquitetura e engenharia sediada em Lisboa e com escritório brasileiro na Rua Oscar Freire, confirma a tendência. “A empresa está perfeitamente alinhada com o mercado brasileiro. Para isso tivemos de adaptar nossos honorários.”

O arquiteto formado pela École d’Architecture Athenaeum, na Suíça, acredita que a chegada de novas empresas estrangeiras ao mercado nacional irá ajudar a elevar o padrão das construções. Contribuição. “Os projetos europeus são exaustivamente detalhados e a qualidade do processo de construção está bem mais evoluída do que no Brasil, o que inclui tecnologia e componentes técnicos”, afirma Jervell. “Um exemplo é o cimento armado
aparente, que se torna o próprio acabamento final. No Brasil ainda não há essa técnica.” Como resultado da introdução de novos materiais e métodos distintos de trabalho, as construtoras no País terão de dar um salto de qualidade, opina o arquiteto.

“Com outras referências no mercado, o comprador se tornará mais exigente e as empresas terão de oferecer algo a mais para permanecerem competitivas. “Aprendizado. O diretor da  incorporadora JHSF diz que trabalhar com um escritório de arquitetura internacional foi uma experiência interessante. “Eles têm uma visão de maior planejamento do projeto antes do início da obra, fazem o detalhamento completo do edifício”, diz Amaral.

“Trata-se de uma característica dos escritórios americanos e europeus. No Brasil, os detalhes da construção vão sendo concluídos à medida em que a obra é tocada.” O executivo diz que a empresa está estudando outros projetos com companhias estrangeiras.

Sobre o real forte em relação ao dólar e ao euro, o executivo diz que o câmbio atual contribui não apenas para a importação de materiais de construção como também de serviços. “Mas se a moeda americana estivesse a R$ 2,50, ainda assim seria possível contratar o Libeskind.”

O vice-presidente de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sindus-Con-SP), Mauricio Bianchi, acredita que “como respeito aos projetos arquitetônicos, vem também o respeito aos materiais e por consequência aos produtos finais (apartamentos).”

Bianchi participou recentemente de duas missões técnicas ao exterior (em fevereiro à Inglaterra e em setembro aos Estados Unidos), durante as quais visitou prestigiados escritórios de arquitetura como o Foster+Partners, famoso por suas obras de aço e vidro na Europa e na Ásia. Por outro lado, Bianchi diz que a vinda de empresas estrangeiras ao País não irá acontecer tão rapidamente quanto se possa imaginar. “Esses escritórios terão de se associar em parcerias com empresas nacionais, já que precisam de aprovações legais e ambientais para os projetos.”

Fonte: Estadão.com
Via: Arq!Bacana




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s