Que cidade você quer ter em 2022?

Por Milton Jung no Blog Adote São Paulo



Faz dois anos estava com 30 pessoas em volta de uma mesa e três perguntas em cima dela. Tínhamos um dia inteiro para responder ao desafio que havia sido apresentado por cinco organizações e movimentos sociais de forte atuação na capital paulista:


1. Qual sua visão para integrar utopia e realidade para São Paulo em 2022?
2. O que projetar e priorizar para 2022?
3. Como construir os caminhos para a concretização das propostas?


Antes de seguir em frente, uma explicação para a data citada: em 2022 comemora-se o bicentenário da Independência e o centenário da Semana de Arte Moderna, e se encerra a vigência do Plano Diretor Estratégico que a cidade esqueceu de implantar e rediscutir nestes anos todos. Bons motivos para provocar a reflexão sobre a São Paulo que queremos ou a que podemos ter.



Lembrei-me do encontro agora porque no fim do mês – dia 23 de novembro – será lançado o Projeto São Paulo 2022, com a intenção de oferecer ao cidadão e ao setor público informações sobre a Capital e, assim, levar adiante a construção de uma cidade que contemple uma agenda de desenvolvimento justo e sustentável.


Naquela oportunidade me coube o papel de provocador. Estava lá para gerar reações dos demais participantes da mesa de discussão e fazê-los imaginar como seria esta cidade melhor que todos buscamos. Antes deles falarem, porém, apresentei o que considero ser fundamental para que se possa planejar. E repito neste artigo. Nossas ideias – sejam quais forem – têm de estar calçadas em três dimensões: custo, acesso e qualidade. Nenhuma se sobrepõe a outra, todas precisam ser medidas com a mesma régua. No Brasil, costuma-se por as questões do custo em primeiro lugar e o resultado tende a ser o aumento do gasto no setor público e a redução no privado, sem que haja efeito no acesso aos serviços e na qualidade oferecida.


Foi em debate com objetivo semelhante mas sobre saúde que me inspirei para apresentar a proposta. É necessário determinar, claramente, quanto se pretende investir na cidade – e aqui se somam dinheiro público e privado -, tendo em vista as demandas do cidadão e a capacidade de financiamento para a próxima década. Todo projeto anunciado tem de se tornar acessível à população, não pode se contentar em atender apenas um pequeno grupo como se nascesse para não avançar além do Plano Piloto (você não tem ideia de quantos planos pilotos já vi serem lançados em São Paulo). Precisa ainda gerar impacto na qualidade de vida das pessoas, sendo arrojado em seus resultados.


Para pensar a cidade dentro de 11 anos, temos de considerar que até lá serão cinco eleições, três governadores, três prefeitos, três câmaras de vereadores e três assembleias legislativas. Ninguém se iluda com a ideia de que a manutenção de um mesmo grupo político no poder neste tempo todo facilitaria a construção das soluções propostas. Há 17 anos, o PSDB está no Governo do Estado e isto não garantiu continuidade de políticas públicas. Haja vista o vai e vem nos projetos de educação. Apenas a participação popular na definição dessas políticas e no Orçamento do município pode impor compromisso aos administradores de passagem pelo poder, processo parecido com o que mudou a vida dos moradores de Bogotá, na Colômbia.


Sonho em viver na cidade que respeite as diferenças e ofereça aos cidadãos oportunidades semelhantes. Quero ter o direito de escolher entre uma escola pública e uma privada pela sua linha pedagógica e não de pobreza. Pretendo andar de ônibus de maneira confortável e rápida no horário que eu precisar e não quando houver espaço nele. Gostaria de ter médico, hospital e equipamento públicos disponíveis de acordo com minha urgência e não quando arrumarem uma vaga daqui alguns meses. Você também deve ter seus desejos e planos para São Paulo, em 2022, – e adoraria saber quais são eles, lendo suas ideias na área reservadas aos comentários deste blog – mas seja qual for esta cidade que pretendemos, não devemos jamais perder a perspectivas de que é preciso atender, igualmente, as três dimensões: custo, acesso e qualidade.


Serviço:


Projeto São Paulo 2022
Dia 23 de novembro
10 horas
Sesc Vila Mariana, rua Pelotas, 141
Org: Rede Nossa São Paulo, Escola da Cidade, Instituto Ethos, Instituto Arapyaú e Instituto Socioambiental


Fonte: Época São Paulo
Imagem: Nelson Kon

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