Dia Internacional das Mulheres e o Mundo da Arquitetura e Urbanismo

A história do Dia Internacional da Mulher acredito que todo mundo já conhece… Por que então parece que dar flores às mulheres neste dia é o mais adequado? Sinto muito minhas amigas mais românticas, mas não temos que receber flores e sim DIREITOS!


Poderia divagar sobre muitos direitos que as mulheres ainda tem a receber, como a questão do aborto… Mas prefiro focar na questão do trabalho que conduzira este texto à posição da mulher dentro do universo da Arquitetura e Urbanismo. Por enquanto serei mais generalista.
 O Dia da Mulher tem que servir de instrumento de debate e de manifestação a questões que ainda estão mal esclarecidas! Ainda existe uma diferença salarial entre homens e mulheres em uma mesma posição profissional e a questão da gravidez e da licença maternidade ainda é vista como um custo a mais para as empresas!
Isto não pode estar certo! Porque parece que para os principais cargos sempre se “confia” mais nos homens? A resposta típica remetendo à história dos homens trabalhando e as mulheres cuidando da casa não cola mais! Já faz muito tempo que as mulheres estão inseridas no mundo do trabalho!
E se para as empresas é muito caro os custos de manter uma mãe por 4 a 6 meses fora do trabalho, não só pelo fato de ter um bebe para cuidar, mas também pela operação e procedimentos cirúrgicos que ela teve que passar, os Estados deveriam ser os primeiros a intervir a favor de igualdade de direitos! Outra opção é também deixarmos de ter filhos… Parece bem adequado na visão empresarial! Aí…que seria do mundo se as mulheres parecem de ter filhos?
E como tudo isso está relacionado com o mundo da Arquitetura e Urbanismo??
Vamos analisar desde o primeiro contato que temos com este mundo: a faculdade! Posso dizer que a proporção entre professores homens e mulheres é de uns 75% para 25% respectivamente. Acredito que essa proporção não varie muito para outras faculdades de arquitetura do Brasil e do Mundo… Mas por que essa desproporção tão acentuada? Será que se formam mais arquitetos que arquitetas? Hmmm acho que não!
Todo mundo deve lembrar das suas classes da faculdade e era mais ou menos o contrario que a proporção de professores; 75% mulheres e 25% homens!
Dai mais uma vez podemos ir ao contexto histórico e falar que antigamente as mulheres não iam tanto a faculdade como os homens! É verdade, se pensarmos nas décadas 1950 e 60. Mas e a partir disso? Onde estão as arquitetas formadas nessa época?
No mundo da arquitetura ainda existe um preconceito arraigado que arquiteta mulher não sabe construir, que serve, no máximo, para decoração ( vista como coisa de menininha rica e não como arquitetura de interiores)! Dentro da faculdade mesmo presenciei professores homens dizendo coisas muito parecidas para suas alunas!!!
Quando vamos ao mundo profissional a coisa piora! Alem dos problemas expostos anteriormente, muitos clientes também pensam que arquitetas mulheres não seriam tão capazes…é muito triste, mas isso se reflete no número de escritórios de arquitetura conhecidos que são liderado por mulheres! Tão poucos…
A extrapolação esta nos prêmios Pritzker! Dos 34 prêmios concedidos até hoje, apenas 2 arquitetas mulheres ganharam!
O que nós arquitetas mulheres temos que fazer é lutar pelos nossos diretos, pelo nosso espaço e pela igualdade de condições! Não temos que ser vistas como barbies arquitetas, mas como profissionais tão capazes como os homens e prontas para assumir postos de chefia e prêmios de arquitetura!
Não podemos mais aceitar ficar em casa ou esperar que o marido tenha sucesso se somos tão capazes como eles! Neste Dia Internacional das Mulheres temos que mostrar que os direitos ganhados pelas mulheres do passado valeram a pena e que não estamos satisfeitas em ficar no meio termo!

Uma resposta para “Dia Internacional das Mulheres e o Mundo da Arquitetura e Urbanismo

  1. Para complementar, esta nota é interessante (que, apesar de antiga, continua válida):

    http://notasurbanas.blog.com/2011/04/24/arquitetura-e-genero-precisamos-de-uma-barbie-arquiteta/

    “De acordo com estatísticas reunidas pelas sucursais da AIA em Washington e Nova Iorque, pelo National Council of Registration Boards [Conselho Nacional de Registro Profissional, semelhante ao CONFEA], e por uma pesquisa sobre salários de arquitetos realizada em 1988 por D. Dietrich Associates, a faixa salarial de um arquiteto-sênior encontra-se entre USD 22.000–45.000, e a de um gerente de projetos entre USD 28.000–56.000 (por ano). Um arquiteto com registro profissional com oito anos de experiência recebe em média USD 37.000 (valores de 1990). Compare-se este cenário com o de outros profissionais licenciados. Um advogado em início de carreira recebe um salário anual de aproximadamente USD 47.000 (advogados experientes ganham em média USD 120.000). Médicos ganham em média USD 155.800 (valores de 1989), sendo que o especialista menos bem pago — clínico-geral ou o médico familiar — ainda assim recebe em média mais do que um arquiteto experiente, cerca de USD 94.000. Um médico com idade inferior a 36 anos ganha em média USD 113.300. Contudo, um assistente social com registro profissional servindo o governo federal recebe um salário anual de aproximadamente USD 38.200 (valor de 1991). Um professor de ensino infantil licenciado recebe USD 32.400 (1990); um terapeuta ocupacional registrado, USD 30.400 (1990); e enfermeiros registrados recebem em média USD 16,20 por hora, significando um salário médio de USD 33.700/ano para jornadas integrais de trabalho. Ainda que salários variem bastante de acordo com a região, cidade, anos de experiência e sexo, estes dados sugerem que os salários de arquitetos apresentam maior relação com profissões como enfermagem, ensino, assistência social e outras especialidades da saúde do que com o direito e a medicina. Entretanto, é também fato que os arquitetos mais bem pagos ganham mais do que os mais bem pagos enfermeiros, por exemplo. A arquitetura — quando comparada com outros campos profissionais predominantemente femininos, como os citados acima (ensino infantil, enfermagem, assistência social) — de fato oferece alguma oportunidade para receber altos salários. Pode ser que a imagem das estrelas do meio, mais do que a do típico arquiteto comum, seja o que direciona a percepção do arquiteto como um integrante do mesmo universo econômico do direito ou da medicina. Entretanto, eu argumentaria que a base para tal percepção também refletiria um pensamento machista — utilizando-se das estrelas mais bem pagas para representar todo o campo profissional, excluindo a média ou o típico. Dados de John W. Wright, The American Almanac of Jobs and Salaries, 1987–88 (Nova Iorque: Avon, 1987); Departamento de Comércio dos EUA, Gabinete do Trabalho, Occupational Outlook Handbook, 1992–93, Boletim 2400 (Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 1992).”

    AHRENTZEN, Sherry. “The F Word in Architecture: Feminist Analyses in/of/for Architecture” in DUTTON, Thomas; MANN, Lian (orgs.). Reconstructing Architecture. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996, p. 111

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