Vilas e Moradias Operárias / São Paulo

Aconteceu neste última dia 14 (sábado) o passeio, realizado pelo portal de arquitetura ARQ!BACANA e apoio do Senac, pelas vilas e moradias operárias remanescentes na cidade de São Paulo.

O ARQ!TOUR teve a presença do guia de turismo Laércio Cardoso de Carvalho que acompanhou o passeio pelos conjuntos de casas contruídos no meados do séc XX.

As razões dessas contruções são variadas: controle sobre os os operários que dependiam tanto do emprego quanto da própria moradia, oferta de emprego para trabalhadores de outras regiões, investimento e etc.

A primeira parada foi nas vilas contruídas nas proximidades das Fábricas Matarazzo na região do Brás – localizadas nas ruas Intendência, Caruapanã e Curimã.

Na sequência foi a Vila Maria Zélia, uma das mais tradicionais e interessantes vilas de operarios de São Paulo. Construido em 1911 pelo industrial Jorge Street da Companhia Nacional de Tecidos de Juta, ainda conserva seu clima de cidade do interior no meio do caos de São Paulo.
 Edílcio Pereira Pinto, o seu Dedé e o Laércio Cardoso de Carvalho
 Antiga Escola dos Meninos – Em frente a Escola das Meninas

Vila dos Ingleses – Vila com 28 casas, de 200m² cada, construidas pelo engenheiro Eduardo de Aguiar d’Andrada para abrigar engenheiros britânicos que trabalhavam na construção da Estação da Luz. Atualmente só uma permanece residência enquanto todas as outras viraram comércio.

 

Já a Vila Economizadora foi um empreendimento da Sociedade Mútua Economizadora Paulista que alugava as casas para trabalhadores de diferentes indústrias da cidade.

Edifício Armando Arruda Pereira – projeto modernista do arquiteto Eduardo Kneese de Mello para o IAPI – Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários que fica localizado na região central de São Paulo.

Por último foi visitado a Vila Itororó – idealizado pelo comerciante português Francisco de Castro, construiu sua residência a partir de materiais reciclados – de obras demolida – e sem qualquer estilo arquitetônico – conhecida como casa surrealista – e também diversas casas para investir em aluguéis.
Atualmente a vila passa por uma situação bem delicada, tombada em 2002, está praticamente totalmente desapropriada – restam apenas 3 familias das aproximadas 105 do total e a prefeitura iniciou um processo de reforma e requalificação do local para tranformar as antigas residências em um centro cultural e um restaurante italiano. Outra curiosidade foi a construção a primeira piscina privada de uso público em São Paulo.


Fotos: Thiago Kubo

2 Respostas para “Vilas e Moradias Operárias / São Paulo

  1. Parabéns pela matéria! Muitas dessas vilas encontram-se em estado de degradação muito acentuado. Ao mesmo tempo em que fica clara a necessidade de conservação dessas peças, o tema traz à tona a ruptura no processo do desenvolvimento capitalista em meados do século XX no Brasil e também no Mundo. O contexto da produção de Vilas Operárias, a composição dos IAP's e as ações do Estado como a Lei do Inquilinato que ia no sentido de promover o acesso e o controle dos preços dos aluguéis resultaram em uma forma de garantir um pacto social em favor da produção que rebatia diretamente na promoção de direitos para a classe operária. Com o empresariamento das funções do Estado, o esvaziamento industrial das cidades, a ultra-divisão do trabalho e o desprendimento local das corporações financeiras e industriais passamos a observar a emersão de um dos mais graves retrocessos do sistema capitalista. Não aprimoramos a organização do trabalho fundamentada na manutenção e ampliação dos direitos sociais, muito pelo contrário, as separamos, os Estados se resignaram e acataram a corrente ideológica que pronunciava sua diminuição em favor do desenvolvimento "livre" dos mercados, passando a aceitar a situação de arrochos salariais, afrouxamento das relações trabalhistas e econômicas e sobretudo lançaram mão da promoção social da habitação e de outros quesitos básicos para a manutenção digna do operariado. Marginalizando e empobrecendo o setor que deveria ser o mais bem cuidado pela agenda pública e cerne da cadeia produtiva.

  2. Olá, belo trabalho, parabéns! Onde eu poderia encontrar a lista dos funcionários ingleses dessa Vila? Grata pela atenção
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