A ficha caiu na China em 10 anos. E no Brasil?

Por Raul Juste Lores – da coluna Cidades Globais

A terceira maior cidade da China, Guangzhou (a antiga Cantão), decidiu limitar o número de novos carros nas ruas. Desde o início de julho, só permitirá o licenciamento de 120 mil novos carros em um período-teste de um ano.

(o video promocional de Guangzhou, acima, espertamente esconde os congestionamentos)


Guangzhou já é a terceira cidade do país a colocar limites ao emplacamento de carros, depois da pioneira Xangai e de Pequim. Pequim agora só permite 200 mil carros novos por ano. Xangai, com quase 20 milhões de habitantes, tem 2 milhões de carros (as políticas de contenção começaram há quatro anos). São Paulo, menor que Xangai, tem 7 milhões de carros.

Guangzhou já tem 2,4 milhões de carros. Até 2000, carro era um artigo raro nas ruas chinesas, que eram dominadas pelas bicicletas. O governo chinês viu o carro como progresso, investiu pesado em montadoras que produzissem carros nacionais e criassem empregos (muitos deles já exportados ao Brasil) e todos ficariam felizes.

Desde os anos 50, o Brasil acha que carro é progresso e precisa ser estimulado. Na China, virou dor de cabeça em dez anos. As três cidades criariam enormes sistemas de metrô. O de Xangai, iniciado em 1995, já tem o tamanho de Londres. O de Pequim é quatro vezes o de São Paulo; o de Guangzhou, o triplo.

No Brasil, fala-se que só se pode colocar obstáculos aos carros quando houver transporte público bom e suficiente. Mas não seria o contrário? Que governo vai investir em transporte público enquanto as classes altas e médias preferem túneis, viadutos e asfalto novo? Bem, no dia em que algum governo priorizar os serviços essenciais e quase exclusivos das camadas mais pobres da população, talvez isso mude.


Raul Juste Lores é correspondente da Folha em Nova York. Foi editor do caderno “Mercado” e ex-correspondente em Pequim e Buenos Aires. Estuda urbanismo e inovação digital nos EUA graças à bolsa da fundação Eisenhower Fellowships.

Veja mais uma matéria de Raul Juste Lores aqui.

Fonte: Folha de S.Paulo – Blogs

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