O Centro Vai Virar Pista de Dança

Entrevista do M:SPFestival BaixoCentro

A partir da próxima sexta-feira, dia 5 até 14 de abril, acontecerá o Festival BaixoCentro, que vai ocupar as ruas de Santa Cecília, Vila Buarque, Campos Elísios, Barra Funda e Luz com mais de 500 atividades culturais e de intervenção pública. Viabilizado por financiamento coletivo através do site Cartase e com parte da bilheteria de algumas festas promovidas por parceiros dos organizadores, o BaixoCentro não conta com o patrocínio de nenhuma marca, ONG ou governo. Aliás, não ter esse tipo de apoio é um dos pré-requisitos para que o evento aconteça, nem mesmo autorização para realizá-lo eles pedem. Totalmente independente, o Festival chega a ser comparado com um dos maiores evento populares de São Paulo, a Virada Cultural, que este ano ocorre nos dias 18 e 19 de maio e também se concentra no Centro da cidade. Enquanto a Virada dura um único final de semana e custa 8 milhões aos cofres da prefeitura, o BaixoCentro custará apenas 62 mil, segundo os seus organizadores. Esse orçamento deve cobrir somente os custos de infraestrutura pois toda equipe da organização do evento é composta por voluntários e nenhuma das atrações que irá se apresentar ao longo de seus 10 dias receberá cachê. Todas as informações são públicas: os valores, a agenda e a íntegra de entrevistas como esta aqui, do M:SP. As manifestações artísticas vão de shows de músicas a poesia nos muros, de contação de histórias a pintura no asfalto. Num Festival que tem como lema “As ruas são para dançar”, é claro que dança também não vai faltar. Todas as atividades foram selecionadas durante uma chamada pública que convocou artistas, entidades e a população em geral para que apresentassem suas propostas. Foram escolhidas 530, cinco vezes mais do que as inscritas em 2012. Nesta que é primeira entrevista do M:SP, o colaborador do BaixoCentro, Thiago Carrapatoso, responde nossas dúvidas, curiosidades e provocações.

“É todo mundo da sociedade civil que quer propor um novo jeito de se relacionar com a cidade. Queremos que todo mundo chame outras pessoas para dançar também!”

M:SP – O que vem do “Baixo” atinge a quem (entendam “atingir” como bem entenderem)?

BaixoCentro – Atinge quem está em cima! E sai de cima que de baixo vem gente! 😛 

M:SP – Vocês são quantos? Quem organiza ou mobiliza esse Festival? Enfim, quem ou qual organização quer tirar a população para essa dança? 

BC – Nós somos em muitos. Tantos que acho que nem contar dá direito. Mas, ao mesmo tempo, somos muito poucos para conseguir tirar todo mundo para dançar. Então, quem mais estiver afim de fazer parzinho, pode chegar junto que sempre tem espaço. Aqui não tem organização ou instituição por trás. É todo mundo da sociedade civil que quer propor um novo jeito de se relacionar com a cidade. Queremos que todo mundo chame outras pessoas para dançar também!

M:SP – Se a Prefeitura ou alguma marca quiser colocar dinheiro no evento pode? Como eles devem fazer?

BC – Nós não temos patrocínio ou pedimos permissão para a prefeitura. Todo o movimento é feito de forma independente e colaborativa. Um Festival feito por pessoas e para pessoas. Se a prefeitura ou alguma marca quiser colocar dinheiro e contribuir com o nosso financiamento coletivo, eles podem fazer por meio do site Cartase. Mas eles não receberão nenhuma outra contrapartida a não ser aquelas descritas no site.

M:SP – Vocês já dançaram feio por conta de algum problema com a polícia ou com outras autoridades nos eventos passados?

BC – Nesse caso, quem dançou feio foi a polícia e outras autoridades. Não a gente 🙂 Problemas nunca tivemos, mas tivemos conversas e começo de conversas para novas formas de se entender. Nunca teve um embate, mas já fomos abordados, sim. Criamos, para evitar confrontos (que não são a nossa intenção), umas dicas sobre como se “dançar” nas ruas (veja aqui). A ideia é instigar um outro processo de se relacionar com as ruas e com as entidades. Não queremos brigas, queremos danças! 
M:SP – Numa das ações do Festival do ano passado, 400 litros de tinta foram jogados na rua para que os carros deixassem rastros coloridos depois de passarem. Como o público, pedestres, motoristas e vizinhos reagem a performances como essa? Alguém reclama ou entra na dança?

BC – Como um bom público, tem os dois lados assistindo à intervenção. O mais importante não é nem gostar do resultado, mas entender que existe um outro processo de se ver e entender a cidade. O que queremos é apertar o gatilho para se ver que a arte pode ser usada para pensar em novos futuros, como um meio de humanizar esse asfalto cinza que é São Paulo. A cidade precisa de mais pessoas e menos concreto. E as tintas foram o nosso meio de deixar o concreto menos feio.

M:SP – Qual lugar do Centro vocês gostariam de ver ocupado pelo Festival, que ainda não foi e que, provavelmente, não será nessa edição de 2013?

BC – Na verdade, eu não vejo um local específico. Acho que a gente quer que todos os lugares públicos sejam palcos e espaços para ocupação. E a ocupação depende muito mais do proponente do que do movimento, já que são eles que escolhem onde suas atividades devem ocorrer.
M:SP – Por que “as ruas são para dançar”?

BC – Por que não? 😛 

M:SP – Se “as ruas são para dançar”, qual ritmo vocês sugerem: salsa, tango, baião, axé, valsa, rock, kuduro, cumbia, samba ou polca?

BC – Todos. Em todos os lugares, qualquer ritmo. O importante é o movimento, é sair para as ruas, é acreditar que o que você gosta vale ser divulgado e aproveitado. É chamar vizinhos, amigos, família para passar o dia em praça pública. É montar sua banda ali na esquina e fazer a divulgacão de seu trabalho para os vizinhos. É mostrar que arte é tão plural quanto os próprios moradores da cidade. Tem espaço para todo mundo. E São Paulo é uma cidade muito grande. 🙂



Fonte: M:SP
Imagens: fotos do Flickr, da galeria Fora do Eixo e de bfernandes, e vídeo da produtora “Filmes para Bailar” no Vimeo

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